sexta-feira, outubro 19, 2007

A GUERRA COLONIAL PORTUGUESA

“ O CARÁTER DE UMA NAÇÃO VÊ-SE PELA FORMA COMO TRATA OS SEUS VETEREANOS “ esta citação foi proferida por Winston Churchill.

O tema de que vos vou falar, é um assunto desde de muito novo que me magnetiza, talvez por haver um certo tabu, em ser falado publicamente, ate á bem pouco tempo.
Os seus directos participantes, são poucos os que falam abertamente, talvez a maioria evite falar para não acordar fantasmas do passado, por se sentirem injustiçados em não serem reconhecidos o seu valor e de certa forma por se considerarem atraiçoados, por parte do Estado.

O Estado, evita a todo custo tocar no assunto, esquecendo-se dos Homens que em Ultramar, combateram pela Pátria. Vejamos por exemplo os manuais escolares de História, em que se estuda a I e II Grandes Guerras Mundiais; o Império Romano, os Descobrimentos Portugueses e da Guerra de Ultramar, pouco ou nada se fala.
Mas então não a Guerra em Colónias Ultramarinas, um marco importante na História Nacional, como os Descobrimentos?? Que receio há por parte dos nossos Estadistas em informar os Homens de amanha, quando e como teve inicio, o que originou e da forma como terminou a Guerra Colonial e as repercussões que teve no futuro de Portugal?

Admira-me que um Governo, tanto este como os anteriores, que tanto lutam para uma sociedade Portuguesa mais culta e menos analfabeta, não prezem para que este capítulo da História fique bem estudado, mas por vezes dá jeito ser analfabeto, pois assim poucas ou nenhumas questões são feitas.

Meus amigos, desde de muito novo que sempre tive curiosidade sobre a Guerra Colonial. Talvez por ver fotos do meu pai, nas antigas Colónias e de estas se encontrarem guardadas no fundo do baú, como que, quanto mais fundas estiverem mais depressa serão apagadas as recordações da memória. É claro, que sempre fui curioso e às minhas perguntas, sobre o assunto, o meu pai apenas respondia com “Sim tive lá…” e pouco mais evitando falar do assunto. E como é normal, quanto menos se fala mais curiosidade se tem, e com o crescer fui pesquisando por mim, porque na escola pouco ou nada se falava.

O Governo, devia e tem como obrigação, tratar com dignidade os ex-combatentes, apoia-los e falar abertamente do assunto, pois só falando do assunto é que os fantasmas deixam de o ser e as duvidas são esclarecidas, tanto para quem lá combateu como para as gerações vindouras.

Na minha convicção, creio que a Guerra do ponto de vista militar não foi perdida, como muitos Governantes assim o pensam e desta forma sacodem a “água do capote”. A Guerra foi perdida politicamente o que originou uma falta de apoio aos militares.

Logo no inicio do conflito o Estado-Novo nunca reconheceu a existência de uma guerra, considerando que os movimentos independentistas eram apenas terroristas e que os territórios não eram colónias, mas províncias e parte integrante de Portugal. Durante muito tempo, grande parte da população portuguesa, foi iludida pela censura à imprensa, viveu sob a ilusão de que, em África, não havia uma guerra, mas apenas alguns ataques de terroristas e de potências estrangeiras.
Não condeno o Povo, que quer a independência ou a libertação do jugo de outro, pois todo o Povo, seja ele qual for com mais ou menos tempo acaba por se libertar, é algo que está inato dentro do ser humano, condeno sim, aqueles que não falam e calam as vozes que se erguem.

Tudo, teve inicio, a 15 de Março de 1961, aquando a UPA (União das Populações de Angola), lançaram um ataque tribal, originando um massacre de populações brancas e trabalhadores negros naturais de outras regiões de Angola. Esta acção devidamente planeada e concertada, contava com um apoio, quer ideologicamente quer material, por parte dos Estados Unidos e União Soviética, colocando Portugal politicamente e militarmente isolado.

Como em todo o conflito armado, há atrocidades cometidas pelas partes intervenientes, a Guerra é assim. Agora cabe ao Estado, como entidade máxima, assumir aquilo que fez e desmentir aquilo que não fez. E não culpabilizar quem combateu e deu o corpo por Portugal.

Veja-se o caso da Operação Mar Verde. Esta Operação preparada no maior secretismo, tinha como objectivo libertar os militares portugueses prisioneiros em Conacri, destruir as bases e navios e aviões MIG do PAIGC e derrubar o regime de Seko Touré e abater o mesmo.

Portugal, não pretendia ver reconhecido o seu envolvimento em tal operação, como tal todo o tipo de material habitualmente utilizado por Portugal foi substituído, desde as armas, fardamento, bóias das embarcações inclusive os barcos foram pintados, pois tal descoberta poderia ter consequências internacionais graves.

Mas resumindo, os objectivos foram cumpridos á excepção que os MIG não foram destruídos nem Seko Touré eliminado, não por culpa dos militares envolvidos mas sim por uma falha dos serviços de informações.

Caros amigos, no seguimento da operação, em 1970, os participantes na Operação Mar Verde e os prisioneiros de guerra libertados em Conakry comprometeram-se a cumprir um pacto de silêncio. Esse pacto foi quebrado por um pequeno número, entre eles o próprio estratego e comandante operacional, Alpoim Calvão, que inclusive publicou um livro sobre os acontecimentos. Outras obras referem esta operação, tendo a estação pública de televisão, a RTP, feito um documentário nos anos 90.

Posteriormente em 1995, em declarações à RTP, o então Presidente da República da Guiné-Conakry elogiou a invasão do seu país pelos portugueses, vendo-a como uma oportunidade perdida de libertar o país do jugo de Sékou Touré. E disse que os militares portugueses fizeram aquilo que é um desejo natural das Forças Armadas de qualquer país: libertar os seus prisioneiros de guerra.

O ridículo é que em 2005, a posição oficial do Estado Português continua a ser que a Operação Mar Verde nunca existiu.

Com tais comportamentos, por parte do Estado, em que se recusa em assumir aquilo que está mais que evidente, como podemos confiar em quem nos Governa e falar livremente do que nos vai na alma e atormenta quem em Ultramar combateu.

AAAAAAUUUUUUU
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1 Comments:

Anonymous RED900 said...

Falamos de Ultramar e surgem de memória assim uns nomes como "Rosa Coutinho" "Otelo Saraiva de Carvalho", defensores do "...para Angola, nunca mais!!!".
Todavia, passados trinta e quatro anos pergunta-se, onde têm estes "cavalheiros" implementadas algumas das suas bastante lucrativas actividades?

A resposta? É obvia, Angola!

"Rosa Coutinho", transportes e serviços. "Otelo Saraiva de Carvalho" mercadorias e consumo.

Assim, meus amigos, a dita revolução (dá-me risos!!!) de Abril nada mais foi do que o adaptar pacificamente a situação a medrosos cavalheiros insatisfeitos, "metropoliteiros" de quartel, que objectivavam fáceis comissões com as suas "senhoras", na metrópole detentoras do quinto ano mal feito e desempregadas, em África "senhoras professoras" sem qualquer concurso!

Na descolonização quantas roupas indispensáveis, de diversas famílias, ficaram em terras de Moçambique para no porão do barco poder viajar o piano e o bólide vermelho de "Almeida Santos"?

Salazar teria, de facto, os seus defeitos, mas morreu miserável e conhecia o seu ardiloso povo, constituido este por poetas alegres demonstrando só ares da sua graça em terras europeias para onde boa situação familiar permitiu fugir a deveres de cidadania após juventude despreocupada e tainante, cheio de esquemas e "boys" que o tempo decorrido, desde então, veio a revelar e demonstrar dever ser "contido".

29 de maio de 2008 às 20:28  

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