sexta-feira, setembro 22, 2006

Não me lembro...


Não me lembro do teu nome…

Não me lembro se esqueci nas voltas da memória
ou se nunca mo disseste.

Não me lembro do perímetro da tua história
ou das cenas que fizeste.

Não me lembro dos traços do teu semblante
nem dos odores narcóticos de amante,
com que, nua, levaste a tua por diante.

Não me lembro do choro ostensivo do jacaré,
que dormiu, nesse corpo de mulher, a meu pé
e maquinou frias ilusões em marcha á ré.

Não me lembro de despegar das paredes imundas
os ecos das juras solenes e profundas
que ousaste glossar em juras profundas.

Não me lembro de tactear os teus seios,
nem da saliva nos beijos de permeio,
nem da volúpia de sangue no sexo molhado,
nem dos suores ardentes do coito arrebatado.

Não me lembro de me lembrar de ti.
Não me lembro do que esqueci.
Não me lembro de me lembrar de ti.
Não me lembro do que não vivi.

Foste tatuagem, carimbo e sinal.
Foste roupagem de um limbo irreal.
Já não sei o que és e foste, afinal,
se és um desejo, um sonho ou um mal.

DESEJO

DESEJO

O meu desejo,
é um lobo faminto
Uivando noite fora
A uma Lua distante,
O teu nome, em vão !

É esta fome imensa,
De saborear a tua carne,
E de mergulhar em ti,
Que me rasga a alma
E me escraviza !

É esta chama ardente,
Que me queima por dentro,
e me tortura e me revolta,
Quando sinto a falta,
De teu corpo colado a mim !

É um alazão negro,
De olhos de fogo,
Com os seus cascos chispando
Triturando caminho com o galope,
Que me leva até ti !

É um vulcão imenso
Arrasando a Terra !
Revolteando os Mares
Criando um novo Mundo !

Quando entro em ti !
É semente de uma nova vida
Mergulhada em fértil solo !
Ou a lúxuria de um verde prado
Coberto de papoilas,
Quando a teu lado acordo...
por fim !

~ Shadow Dancer ~

segunda-feira, setembro 11, 2006

11 de Setembro

Olá meus amigos:

Faz hoje 5 anos, sobre o atentado ás Torres Gemeas do World Trade Center, nos Estados Unidos.
Relativamente ao que se passou nesse trágico dia, todos nos vimos as imagens, que falam por si.

É de lamentar todos aqueles que pereceram, tanto os que estavam no interior das Torres, como todos aqueles que ocorreram em seu auxílio, assim como os que seguiam no interior dos aviões, isto é se transportavam alguém…

Sim meus amigos, é isso mesmo que leram!!...

Aquando os acontecimentos, tudo indiciava tratar-se de um atentado terrorista e agora a tese de atentado, para mim, continua. O principal, que falta saber é quem são os seus autores, os verdadeiros terroristas, se membros de Bin Laden ou membros da governação Bush.

Num caso como este, em que se contam 3.000 mil vitimas e os alvos para onde foram dirigidos os atentados, uma investigação transparente é essencial para assim se dar uma resposta ao Mundo e aos familiares das vitimas, quanto aos seus autores, é indispensável.

Não é admissível que isto não se faça, num país como os Estados Unidos, uma potência mundial e com todos os meios tecnológicos para o fazer.
Se não o foi feito é porque algo havia a ocultar.É facil apontar o dedo, mas quando se faz á que o provar.

Após os atentados de 11 de Setembro, tudo mudou, quer a nível económico, político e até mesmo religioso.
E como em tudo na vida, não foram só prejuízos, alguém lucrou, e não foram tão poucos como isso, com todos estes acontecimentos.

Analisando tudo friamente, algumas dúvidas assolam-me o pensamento.

Porque razão as Torres desmoronaram após os impactos? A sensação que tenho da queda das Torres é mais de uma implosão que explosão.
Como é possível, que edifícios semelhantes ás Torres e de construção anterior, tenham também sido alvo de atentados e não se tenham desmoronado mas sim sofrido avultados danos materiais?

Veio a publico uma informação que os desmoronamento se deveu, ao aço que sustentava as Torres, se ter derretido face ás elevadas temperaturas, quando a empresa que certificou a qualidade do aço, ter declarado que era impossível tal situação, levando á demissão do responsável da referida firma.
Refira-se que em Madrid, um edifício ardeu durante 24horas e não ruiu, entre muitos outros casos.

Varias testemunhas, afirmaram logo após a queda e para vários órgãos de comunicação que foi perceptível mais que uma explosão, não tendo sido dada a mínima importância a tais testemunhos, principalmente quando ainda estavam “frescos” na memória.

A administração do Sr. Bush, informou que não foram encontradas as caixas negras dos aviões, quando há vários bombeiros a refutarem, tais informações. Além de que o material que reveste as gravações das caixas negras é feito de um material resistente, ao impacto e ao calor.
De referir que em acidentes aéreos, em 99% dos casos as caixas negras são localizadas, porque não o foram neste caso ou porque razão assim o fizeram crer??

O mais caricato é que não foi possível localizar as caixas negras mas foi encontrado um passaporte, que segundo os investigadores, havia caído do bolso de um dos terroristas aquando a colisão. Acreditam???

Todos sabemos, que numa situação destas, a analise aos destroços é essencial para uma descoberta da verdade, neste quase havia pressa de recolher os destroços sem uma análise prévia. Tanta prática que os nossos “amigos” americanos têm, que parece que nesse dia se esqueceram de tudo, enfim…

Uma das coincidências entre muitas, alguns dias após o atentado ter sido encontrado pelos “soldadinhos” de Mr. Bush uma gravação vídeo, de Bin Laden a reclamar a autoria dos atentados. Gravação esta de má qualidade, com o Bin Laden de perfil.
Mas mesmo nessa gravação há pormenores que escaparam aos serviços secretos americanos, como por exemplo, que na gravação Bin Laden escreve com a mão direita, sendo este esquerdino (segundo informações da CIA), alem de que possui um anel em ouro e é do conhecimento publico que os Muçulmanos não usam esses tipos de adornos, por questões religiosas.

Também é do conhecimento publico, que a grandes altitudes não se consegue efectuar chamadas telefónicas via telemóvel, segundo um estudo as probabilidades de são de 0,006, mas os passageiros conseguiram-no e não foi só um…curioso !!!
Então porque razão passados dois anos, a BOING, gastou milhares de dólares, a equipar as suas aeronaves com um sistema tecnológico, para que os seus passageiros conseguissem efectuar chamadas telefónicas via telemóvel, em pleno voo??

Segundo a Casa Branca, que de transparência não tem nada, forma 15 operacionais que perpetraram o atentado e como consequência, também morreram.
Mas segundo comunicações de varias embaixadas, nove deles encontram-se vivos, inclusive um deles ate declarou que nunca havia perdido o passaporte…mais uma infeliz coincidência.

Entre estas há muitas mais e mais, o que é preciso é ver com olhos de ver e não “comer” o que o Sr. Bush nos põe á frente, como gosta de fazer.

O cinismo do Sr. Bush é repugnante, depois de tudo o que ocultou e fez crer ao Mundo, ainda tem o descaramento de hoje colocar uma coroa de flores em memória das vítimas.

Creio que o maior terrorista e a maior ameaça para o Mundo e para os Estados Unidos é o Sr. Bush e a sua administração.


AAAAAAAAAUUUUUUUUUUU
AAAAAAAAAAAAAAAAAUUUUUUUUUUU

quarta-feira, setembro 06, 2006

Subjugação, hipocrisia e mentira....

Olá meus amigos:

Mais uma vez os aviões do Tio Sam, dão que falar.

A escala feita pelos aviões americanos, pertencentes á CIA, (Agência Central de Informações), durante voos, alegadamente secretos, originou que o nosso estimado amigo e Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, vá ao Parlamento Europeu “prestar contas” sobre o sucedido.

Cerca de 131 voos, passaram pelo território Nacional Português, fazendo escala em vários Aeroportos como o de Francisco Sá Carneiro, no Porto, e os dos Açores e Madeira, informação esta confirmada pelo Ex-Ministro Freitas do Amaral.

O problema é que a informação, que Portugal possui sobre essas aeronaves e voos, é de tal maneira diminuta que o Parlamento Europeu considera insuficiente.

Quando tudo isto veio a publico, muitos foram os políticos que deram a cara a desmentir o sucedido.
A hipocrisia, a cada dia que passa é maior e cada vez menos possível de dissimular. Hoje diz-se que sim, amanha diz-se que não e…jura-se a pés juntos que nunca se disse sim.
Eu tenho a noção, que entre Estados e na Politica apenas há interesses económicos, mas meus amigos…tudo isto parece um “caldeirão de bruxaria” politica

Incrível, tantos aviões voaram no espaço aéreo nacional e “estacionaram” nos nossos aeroportos á vontadinha, sem darem “cavaco” ao “Zé Portuga”. Desconhecendo-se a carga que tranportavam, “comendo”apenas a informação fornecida pelo menino Bush e não se efectuando o controle habitual, pelas autoridades nacionais.

Também não acredito que os nossos governantes, sejam ingénuos ao ponto de acreditarem cegamente, no Governo Americano, sem questionarem, o motivo para tantas escalas e o tipo de carga transportada, tripulação, horários e matrículas das aeronaves.

As aeronaves também não foram invisíveis, porque de certeza que foram detectados pelos nossos radares e creio que autorizados a aterrar e a estacionar, além de que foram fotografadas, por um “olho” mais atento.

Será que por serem voos secretos, não se poderá fiscalizar essas aeronaves? Ou será por serem os aviões do menino Bush que estão isentos de todos os protocolos?

Este senhor preocupa-se tanto com a sua segurança nacional, e quando é ele o fiscalizado pelos outros, também estes preocupados com própria segurança nacional? Ai é diferente…é desconfiança, é tudo e mais alguma coisa…


Tudo isto, me faz recuar aos anos 50/ 60, quando os americanos efectuaram um protocolo com os vizinhos espanhóis, para poderem sobrevoar o espaço aéreo sem restrições.
Os nossos vizinhos, foram tão bem enganados, que aceitaram e só acordaram, quando uma aeronave americana, se despenhou na costa marítima espanhola, com carga radioactiva.

O alarido público, na época foi enorme, que o Primeiro-Ministro espanhol, teve que ir á praia e a banhos, perante a imprensa para provar que não havia contaminação das águas. Exigindo Governo Espanhol, uma indemnização.

Mas os nossos vizinhos aprenderam a lição, agora nós…

Será que por sermos um pais pequenino, á beira mar plantado, temos que nos subjugar ás vontades do Tio Sam, sermos meros observadores e lacaios, na nossa própria casa??

Bem meus amigos…eu de não sou lacaio de ninguém, muito menos da rapaziada americana.
Mas se o formos, começo a ponderar mudar-me para o país vizinho!!!

AAAAAAAAAUUUUUUUUUUU
AAAAAAAAAAAAAUUUUUUUUU

segunda-feira, setembro 04, 2006

O meu melhor AMIGO

Memórias de um Lobo Solitário
Olá

Meus amigos, hoje decidi falar-vos do BILL.

Não é o Bill Clinton, muito menos o Bill Gates, é alguém muito mais importante, pelo menos para mim.

O BILL de que vos falo, é um canídeo, um puro exemplar da raça Serra da Estrela. É um soberbo cão de 78Kg, pêlo comprido em tons castanhos e preto, com uns olhos acastanhados, que transmitiam muita serenidade e doçura.

Conheci o BILL, quando estava na Força Aérea, como tratador/treinador de cães militares.

Foi-me apresentador e distribuído, após o meu anterior cão ter falecido, de ataque cardíaco…mas isso é outra história.
A primeira impressão que tive dele, foi se nos iríamos entender, pois o meu anterior parceiro era mais activo e nervoso, já o BILL era oposto. Quanto ao que ele pensou de mim…não sei…talvez o mesmo ou pior.
Mas apartir desse momento, equipa estava constituída e começamos a trabalhar juntos.

Eu, como pouco tempo vinha a casa, passava-o maior parte das vezes na Unidade, não por obrigação mas por opção, e com o passar do tempo, fomo-nos conhecendo melhor.

O nosso tempo, era divido em treinos; serviço de guarda 24horas e brincadeiras.

O meu amigo ia aturando as minhas maluqueiras e mau-humor e eu a pachorrenta calma dele.

Os momentos que guardo na memória, para toda a vida, é o tempo em que eu passava a escovar e a pentear o BILL. Com um pêlo tão comprido e imenso, aquile momento demorava mais que as outras equipas e como tal, foi fundamental para a fortalecer a nossa amizade.

O BILL, adorava aqueles momentos e eu sentia cada vez mais orgulho no meu parceiro.

De Verão, sofria um pouco com o calor e por isso optamos por treinar, de manha cedo ou á noite. Não é que se recusasse a treinar nas horas de calor, mas uma equipa é isso mesmo, compreensão mútua, da mesma forma que ele compreendia os momentos em que a vontade de trabalhar era pouca da minha parte, quando estava ressacado da bebedeira da noite anterior.

Com o passar do tempo, tornamo-nos companheiros inseparáveis. Só não dormíamos juntos…bem …aos fins de semana dormíamos…ou seja, os cães não podiam frequentar os alojamentos, excepto em serviço, mas apartir de Sexta –feira á noite até Segunda-feira de manha, levava o BILL para o meu quarto e dormir na cama ao lado. Sim, na cama ao lado da minha!!!!

De manha quando me levantava, para tomar banho, sem proferir uma palavra, bastava pegar na toalha e o meu companheiro, lá me acompanhava. Durante o banho, o BILL deitava-se no balneário á espera que eu terminasse.

Claro que depois, acompanhava-me ao Bar para o pequeno-almoço.

Tudo isto, gerava muitos protestos, quer pelos colegas de quarto quer pelo barista e demais utentes, mas a amizade era mais forte…
Houve momentos, em que partilhou comigo o seu canil, e ali ficávamos os dois a dormir…aquilo é que era sossego...e dormir.

Podem não acreditar, mas chegamos ate a frequentar a piscina da Unidade, perante os gritos do soldado responsável pela piscina. Eu havia-lhe prometido que o levava á piscina e uma promessa deve ser cumprida.

Mas como todas as equipas, também tínhamos os nossos desentendimentos e uma delas acabou comigo engalifado com o meu amigo, acabando por eu o morder numa orelha…só assim a luta era justa, acabando pela nossa amizade ficar ainda mais fortalecida

Quando o BILL, arranjou uma namorada na Base Aérea em Maceda – Ovar, eu acompanhava-o todos os anos durante 15 dias para ele namorar e cumprir a sua “obrigação” como puro macho. O quanto nos divertimos nessas alturas.

Quando fazíamos serviço, dava-lhe dois litros de leite, um á noite e outro de manha, que era para ser distribuído aos soldados. Eles reclamavam, mas no fundo compreendiam.

Confiávamos um no outro, cegamente e não estou a exagerar.
Foi a amizade mais pura e sincera, que eu tive e jamais tirei na vida.

Quando desmobilizei da Força Aérea, o BILL continuou ao activo. Esse ultimo dia, foi o mais difícil…eu sabia que ambos íamos seguir destinos diferentes e ele também o pressentia. Tentei tudo por tudo para o comprar á Força Aérea, ele havia custado 50 contos eu oferecia 500 contos, isto em 1995 era bastante dinheiro, mas para mim o importante era levar o meu companheiro comigo e continuarmos juntos, mas isso não foi possível.

A nossa última noite juntos, foi passada no canil. As lágrimas corriam e BILL cabisbaixo, encostava-se a mim para me reconfortar e sentir-mos o contacto físico um do outro. Custou-me imenso separar-me do BILL…

Passado um ano, decidi visitar o BILL.
Já com um novo tratador, este dizia-me que o BILL, mais parecia um ovelha que um cão. Não tinha alegria nem vivacidade nenhuma.

Quando fui com o seu actual tratador ao canil, dei um berro pelo seu nome…e o BILL parecia louco, saltava, ladrava de alegria. O seu tratador ficou estupefacto.
Abri a porta do canil e BILL, corria como um louco de um lado para o outro, saltava e andava de volta de mim.

Acabamos abraçados, por uns longos minutos.
Que saudades tinha do meu amigo…

Ainda hoje, quando recordo o BILL, me arrepio todo… Que saudades tenho do seu olhar…do seu pêlo comprido e macio…até do seu calor…

É algo que só quem vive algo semelhante, é que entende o que eu sinto.

Costumo dizer, que o melhor contrato que o Homem alguma vez fez, foi com o Cão. Pouco ou muito que o Homem dê ao Cão, este por sua vez dá tudo ao Homem. Além de que o cão é o melhor amigo do Homem, por sua vez há ocasiões em que o Homem é o pior amigo do Cão.

Desta forma presto a minha homenagem, ao meu melhor amigo de todos os tempos…

AAAAAAAAAAUUUUUUU
AAAAAAAAAAAAUUUUUU

sexta-feira, setembro 01, 2006

Amor sem tréguas

É necessário amar,
qualquer coisa, ou alguém;
o que interessa é gostar
não importa de quem.

Não importa de quem,
nem importa de quê;
o que interessa é amar
mesmo o que não se vê.

Pode ser uma mulher,
uma pedra, uma flor,
uma coisa qualquer,
seja lá o que for.

Pode até nem ser nada
que em ser se concretize,
coisa appenas pensada,
que a sonhar se precise.

Amar por claridade,
sem dever a cumprir;
uma oportunidade
para olhar e sorrir.

Amar como homem forte
só ele sabe e pode-o;
amar até á morte,
amar até ao ádio.

Que ódio, infelizmente,
quando o clima é de homem,
é forma inteligente
de se morrer de amor.
Meus amigos:
Espero que tenham gostado deste poema de António Gedeão.
Filho de um funcionário dos correios e telégrafos e de uma dona de casa, Rómulo Vasco da Gama de Carvalho nasceu a 24 de Novembro de 1906 na lisboeta freguesia da Sé. Aí cresceu, juntamente com as irmãs, numa casa modesta da rua do Arco do Limoeiro (hoje rua Augusto Rosa), no seio de um ambiente familiar tranquilo, profundamente marcado pela figura materna, cuja influência foi decisiva para a sua vida.

Na verdade, a sua mãe, apesar de contar somente com a instrução primária, tinha como grande paixão a literatura, sentimento que transmitiu ao filho Rómulo, assim baptizado em honra do protagonista de um drama lido num folhetim de jornal. Responsável por uma certa atmosfera literária que se vivia em sua casa, é ela que, através dos livros comprados em fascículos, vendidos semanalmente pelas casas, ou, mais tarde, requisitados nas livrarias Portugália ou Morais, inicia o filho na arte das palavras. Desta forma Rómulo toma contacto com os mestres - Camões, Eça, Camilo e Cesário Verde, o preferido - e conhece As Mil e Uma Noites, obra que viria a considerar uma da suas bíblias.

Criança precoce, aos 5 anos escreve os primeiros poemas e aos 10 decide completar "Os Lusíadas" de Camões. No entanto, a par desta inclinação flagrante para as letras, quando, ao entrar para o liceu Gil Vicente, toma pela primeira vez contacto com as ciências, desperta nele um novo interesse, que se vai intensificando com o passar dos anos e se torna predominante no seu último ano de liceu.

Este factor será decisivo para a escolha do caminho a tomar no ano seguinte, aquando da entrada na Universidade, pois, embora a literatura o tenha acompanhado durante toda a sua vida, não se mostrava a melhor escolha para quem, além de procurar estabilidade, era extremamente pragmático e se sentia atraído pelas ciências justamente pelo seu lado experimental. Desta forma, a escolha da área das ciências, apesar de não ter sido fácil, dá-se.

E assim, enquanto Rómulo de Carvalho estuda Ciências Fisico-Químicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, as palavras ficam guardadas para quando, mais tarde, surgir alguém que dará pelo nome de António Gedeão.

Em 1932, um ano depois de se ter licenciado, forma-se em ciências pedagógicas na faculdade de letras da cidade invicta, prenunciando assim qual será a sua actividade principal daí para a frente e durante 40 anos - professor e pedagogo.
Começando por estagiar no liceu Pedro Nunes e ensinar durante 14 anos no liceu Camões, Rómulo de Carvalho é, depois, convidado a ir leccionar para o liceu D. João III, em Coimbra, permanecendo aí até, passados oito anos, regressar a Lisboa, convidado para professor metodólogo do grupo de Físico-Químicas do liceu Pedro Nunes.

Exigente, comunicador por excelência, para Rómulo de Carvalho ensinar era uma paixão. Tal como afirmava sem hesitar, ser Professor tem de ser uma paixão - pode ser uma paixão fria mas tem de ser uma paixão. Uma dedicação. E assim, além da colaboração como co-director da "Gazeta de Física" a partir de 1946, concentra, durante muitos anos, os seus esforços no ensino, dedicando-se, inclusivé, à elaboração de compêndios escolares, inovadores pelo grafismo e forma de abordar matérias tão complexas como a física e a química. Dedicação estendida, a partir de 1952, à difusão científica a um nível mais amplo através da colecção Ciência Para Gente Nova e muitos outros títulos, entre os quais Física para o Povo, cujas edições acompanham os leigos interessados pela ciência até meados da década de 1970. A divulgação científica surge como puro prazer - agrada-lhe comunicar, por escrito e com um carácter mais amplo, aquilo que, enquanto professor, comunicava pela palavra.

A dedicação à ciência e à sua divulgação e história não fica por aqui, sendo uma constante durante toda a sua a vida. De facto, Rómulo de Carvalho não parou de trabalhar até ao fim dos seus dias, deixando, inclusive trabalhos concluídos, mas por publicar, que por certo vêm engrandecer, ainda mais, a sua extensa obra científica.

Apesar da intensa actividade científica, Rómulo de Carvalho não esquece a arte das palavras e continua, sempre, a escrever poesia. Porém, não a considerando de qualidade e pensando que nunca será útil a ninguém, nunca tenta publicá-la, preferindo destruí-la.

Só em 1956, após ter participado num concurso de poesia de que tomou conhecimento no jornal, publica, aos 50 anos, o primeiro livro de poemas Movimento Perpétuo. No entanto, o livro surge como tendo sido escrito por outro, António Gedeão, e o professor de física e química, Rómulo de Carvalho, permanece no anonimato a que se votou.
O livro é bem recebido pela crítica e António Gedeão continua a publicar poesia, aventurando-se, anos mais tarde, no teatro e,depois, no ensaio e na ficção.

A obra de Gedeão é um enigma para os críticos, pois além de surgir, estranhamente, só quando o seu autor tem 50 anos de idade, não se enquadra claramente em qualquer movimento literário. Contudo o seu enquadramento geracional leva-o a preocupar-se com os problemas comuns da sociedade portuguesa, da época.

Nos seus poemas dá-se uma simbiose perfeita entre a ciência e a poesia, a vida e o sonho, a lucidez e a esperança. Aí reside a sua originalidade, difícil de catalogar, originada por uma vida em que sempre coexistiram dois interesses totalmente distintos, mas que, para Rómulo de Carvalho e para o seu "amigo" Gedeão, provinham da mesma fonte e completavam-se mutuamente.

A poesia de Gedeão é, realmente, comunicativa e marca toda uma geração que, reprimida por um regime ditatorial e atormentada por uma guerra, cujo fim não se adivinhava, se sentia profundamente tocada pelos valores expressos pelo poeta e assim se atrevia a acreditar que, através do sonho, era possível encontrar o caminho para a liberdade. É deste modo que "Pedra Filosofal", musicada por Manuel Freire, se torna num hino à liberdade e ao sonho.E, mais tarde, em 1972, José Nisa compõe doze músicas com base em poemas de Gedeão e produz o álbum "Fala do Homem Nascido".

O professor Rómulo de Carvalho, entretanto,após 40 anos de ensino,em 1974, motivado em parte pela desorganização e falta de autoridade que depois do 25 de Abril tomou conta do ensino em Portugal decide reformar-se. Exigente e rigoroso, não se conforma com a situação. Nessa altura é convidado para leccionar na Universidade mas declina o convite.
Incapaz de ficar parado, nos anos seguintes dedica-se por inteiro à investigação publicando numerosos livros, tanto de divulgação científica, como de história da ciência. Gedeão também continua a sonhar, mas o fim aproxima-se e o desejo da morrer determina, em 1984, a publicação de Poemas Póstumos.

Em 1990, já com 83 anos, Rómulo de Carvalho assume a direcção do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa, sete anos depois de se ter tornado sócio correspondente da Academia de Ciências, função que desempenhará até ao fim dos seus dias.

Quando completa 90 anos de idade, a sua vida é alvo de uma homenagem a nível nacional. O professor, investigador, pedagogo e historiador da ciência, bem como o poeta, é reconhecido publicamente por personalidades da política, da ciência, das letras e da música.
Infelizmente, a 19 de Fevereiro de 1997 a morte leva-nos Rómulo de Carvalho. Gedeão, esse já tinha morrido alguns anos antes, aquando da publicação de Poemas Póstumos e Novos Poemas Póstumos.

Avesso a mostrar-se, recolhido, discreto, muito calmo, mas ao mesmo tempo algo distante, homem de saberes múltiplos e de humor subtil, Rómulo de Carvalho que nunca teve pressa, mas em vida tanto fez, deixa, em morte, uma saudade imensa da parte de todos quantos o conheceram e à sua obra.
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